Relacionamentos Enfadonhos ou Consciências Adormecidas?
“E que sejam felizes para sempre.”
E aí começa a grande ilusão.
Tenho um tanto de dificuldade de prolongar as minhas falas; geralmente sou bem direta. A verdade é que tenho pouca paciência, mas muito amor pelas pessoas.
Observo e busco conhecer bem o meu mundo interno, e isso tem feito muita diferença na minha vida. Assim, muitos castelos ilusórios vêm se desfazendo. A tal matrix é, na realidade, uma soma de enredos criados para entorpecer.
E, nos relacionamentos, essas histórias carregam cores, sabores, cheiros e sons. Todos os sentidos estão envolvidos — o tal do sistema límbico bem ativado pelo cinema, novelas, séries e as vidas editadas das pessoas nas redes sociais. Tudo pensado estrategicamente. Os perfumes e suas propagandas com objetivos bem traçados; cores, comidas, roupas que deixam claro qual é a temperatura, o gosto e o cheiro do amor.
Sem isso, parece que o amor é sem graça, enfadonho. A estética do amor da matrix é pensada em todos os detalhes, e a maioria olha a cena e pensa: “Não tenho isso.” E, nessa comparação injusta, vem a frustração avassaladora, e perde-se o foco do real problema, do verdadeiro caminho que seria a proposta relacional humana.
As pessoas permanecem como eternas crianças sem os brinquedos que viram na propaganda ou na casa do amiguinho…
A criança ferida interna, sentindo que a vida é inadequada segundo seus julgamentos e comparações, deixa de avançar. Fica se distraindo com tudo, não tem planos, afasta-se do propósito de sua essência verdadeira. Permanece no torpor da busca eterna por validação e na busca de um carinho que é sempre insuficiente, pois quer ser sempre uma criança que mama e quer colinho da mãe-vida, mas nunca é saciada — o vazio só aumenta. Busca no outro, mas nem imagina que o que sente falta é, na verdade, de si mesma.
Quer se preencher com profissão, missão, alguém que dê um algo que a pessoa nem sabe bem o que é. Mas acaba recebendo da vida espelhos…
Uma profissão que escancara suas dores, relacionamentos que ressaltam carências — tudo que parece deixar a pessoa pior. Porém, essa é a maneira que o inconsciente encontra para que ela pare e se olhe de verdade no espelho interno, no mais profundo da alma.
Mas muitas pessoas se negam a olhar e terão uma vida morna, sem sabor real, sem cores realmente vivas, sem cheiros verdadeiros e profundos. A pessoa estará sempre vivendo como figurante da história de alguém, em um elo de carência e aprisionamento mútuo, apenas baseado em apego. E, no apego, cada ser se apaga um pouco a cada dia. Ninguém floresce; estaciona, adoece e morre em vida.
O grande despertar…
Existe uma maneira de sair desse ciclo.
O caminho é o despertar: sair das distrações e encarar de frente o que a maioria vive fugindo. Olhar para si mesma, perceber as sombras, tomar café, chá ou mesmo água com elas e ativar em si o modo “microtarefas concluídas”, pois algo precisa ser materializado para mostrar ao sistema ilusório quem manda.
Se você acorda e, ao invés de cuidar de si, não conclui pelo menos parte de algo importante, entrega-se à vida morna e zumbi dos meios artificiais. Não sairá tão cedo da ilusão que a aprisiona. Será escravizada pelo sistema — apenas consumidora, apenas vítima. E a vítima nunca vence.
Ative seu modo vida e pense que tudo ao seu redor é consequência das suas escolhas e que não existe ninguém especial — ou todos somos, ou ninguém é. A diferença está na mentalidade e nas ações que cada pessoa escolhe ter diariamente.
Eu escolho a consciência, a presença e as ações para uma vida de verdade.
E você? Escolhe o quê?
Tatiana Mendonça


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